|
|
24 de Outubro – “Copa 78 – O Poder do Futebol”, de Mauricio Sherman e Victor de Mello
|

|
Amir Labaki
|

Cena de “Copa 78 – O Poder do Futebol”
|

Nosso filme desta semana é “Copa 78 – O Poder do Futebol”, de Mauricio Sherman e Victor de Mello.
Primeiro, o extracampo. Em seu livro de memórias, Paulo César Saraceni conta como ele e o Maurice Capovilla foram excluídos da edição das filmagens que coordenaram durante a Copa da Argentina. O motivo teria sido a recusa deles, e do produtor Jarbas de Hollanda, de incluir uma entrevista com o ditador da ocasião, o general Jorge Vidella. O produtor Milton Reis escalou então dois profissionais que não acompanharam in loco a produção, Sherman, um diretor de TV, e Mello, um cineasta da era da chanchada, para montar e finalizar o documentário.
O resultado é quase um Globo Repórter estendido, contando até mesmo com a narração enfática de Sérgio Chapelin. A tensão entre política e esporte não foi contudo varrida para baixo do tapete. Eis um líder montonero abrindo o filme com o anúncio de uma trégua durante o 11º campeonato mundial de seleções. Eis o ditador Vidella discursando com juras de amizade e de paz. Eis seu colega brasileiro, Ernesto Geisel, também abençoando o time brasileiro. Eis o craque francês Michel Platini liderando os protestos contra os desaparecidos.
Mas o melhor mesmo é o futebol. Um time de craques, liderada pela equipe da época do insuperável Canal 100, fotografou as partidas daquela que foi a última Copa sul-americana –até a nossa, em 2014. É como se estivéssemos lá, vendo a Argentina rumar ao título com constante ajuda da arbitragem, o Brasil sagrar-se “campeão moral” com Chicão no meio de campo e Falcão assistindo a Copa pela TV, a Holanda sem Cruiff mais uma vez quase chegar lá e o Peru manchar para sempre seu currículo futebolístico ao entregar-se à polêmica goleada que conduziu a Argentina à final.
|
|
|
|

|